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Cinco anos depois, Trump
reconhece que Obama
nasceu nos EUA
JOÃO RUELA RIBEIRO 16/09/2016 - 13:36
(actualizado às 16:59)
A dois meses das presidenciais, as
sondagens a nível nacional mostram a
vantagem de Clinton a desaparecer, mas é
a ex-secretária de Estado que mantém
mais hipóteses de ser eleita.
"O Presidente Obama nasceu nos Estados
Unidos, ponto final." A frase chegou com
cinco anos de atraso, mas o candidato
republicano à Casa Branca, Donald
Trump, finalmente pronunciou-a. Não
sem horas antes se ter negado uma última
vez a reconhecer a nacionalidade do
primeiro Presidente negro dos EUA.
A equipa de assessores de Trump começou
por declarar que o magnata “acredita”
que Obama nasceu nos Estados
Unidos. “Tendo conseguido obter o
certificado de nascimento do Presidente
Obama quando outros não o
conseguiram, Trump acredita que o
Presidente Obama nasceu nos Estados
Unidos”, afirmou Jason Miller, um dos
principais assessores de Trump, num
comunicado divulgado na quinta-feira à
noite.
Antes, o candidato tinha sido questionado
por um jornalista do Washington Post
sobre o assunto, mas não foi capaz de
confirmar a sua posição. “Irei responder
a essa pergunta na altura certa, apenas
não o quero fazer agora”, disse Trump.
Há uma semana, a directora de
campanha do republicano, Kellyanne
Conway, já tinha garantido que o
candidato acreditava que Obama tinha
nascido nos EUA e que queria pôr um
ponto final na polémica. Ao Post , Trump
desvalorizou as declarações da
responsável pela sua campanha. “Ela pode
dizer o que quiser. Eu quero concentrar-
me em empregos”, afirmou.
O momento certo chegou esta sexta-feira
durante a apresentação do seu novo hotel
em Washington, quando pronunciou a
aguardada frase. Mas, como é hábito,
Trump tinha de envolver um aparente
momento de reconciliação numa
polémica, ao implicar a sua rival na
corrida presidencial no assunto. "Hillary
Clinton e a sua campanha em 2008
começaram a
controvérsia birther [movimento que
questiona a nacionalidade de Obama]. Eu
terminei-a. Eu terminei-a, sabem o que
quero dizer", disse Trump.
A polémica remonta a 2011, quando
durante a campanha para a reeleição de
Obama, Trump questionou em diversas
ocasiões a nacionalidade do Presidente
nascido no Havai. Quando o certificado
de nascimento de Obama foi divulgado,
Trump continuou a duvidar, levantando
suspeitas quanto à veracidade do
documento. O magnata do imobiliário
nova-iorquino defendia a tese de que
Obama teria nascido no Quénia e que até
seria muçulmano.
A campanha do republicano voltou agora
a tentar afastar Trump dessa posição
polémica, com o argumento de que foi
Hillary Clinton, durante a corrida às
primárias de 2008, quem a levantou em
primeiro lugar. Não são conhecidas,
porém, quaisquer declarações públicas da
antiga secretária de Estado nesse sentido.
Clinton criticou a recusa de Trump em
reconhecer que Obama nasceu nos EUA,
que diz fazer parte da “campanha mais
divisionista” dos últimos anos, levada a
cabo pelo magnata. “Este homem quer ser
o nosso próximo Presidente? Quando irá
ele parar maldade, esta intolerância?”
Republicano recupera
A polémica reacende-se numa altura em
que os números das sondagens parecem
sorrir a Trump. A média dos principais
inquéritos realizados nas últimas semanas
atribui uma vantagem magra de 1,1
pontos a Hillary Clinton — bem distante
do avanço anterior da democrata, que há
um mês era superior a seis pontos. Alguns
estudos, como o realizado em conjunto
pelo New York Times e pela CBS, apontam
para um empate. As projecções do Times ,
tendo em conta o colégio eleitoral e as
sondagens de cada estado, continuam,
porém, a atribuir grandes hipóteses (74%)
para que Clinton seja eleita.
A esmagadora maioria do eleitorado tem
consciência de que Trump é uma escolha
mais arriscada do que Clinton, mas a
democrata é igualmente vista como
aquela que poderá trazer menos
mudanças à forma de se fazer política em
Washington, segundo um estudo do NYT .
A honestidade — ou a falta dela —
continua a ser um problema para ambos
os candidatos, de acordo com as
percepções dos eleitores. Mais de 60%
consideram os dois pouco dignos de
confiança. Apesar de a imigração ser uma
das pedras fulcrais do programa eleitoral
de Trump — que planeia deportar milhões
de pessoas sem documentos e construir
um muro na fronteira com o México —, é
Clinton que é vista como a mais bem
colocada para lidar com o assunto. O
eleitorado parece apenas confiar nas
qualidades de Trump para tratar da
economia.
A imprensa norte-americana atribui a
melhoria dos números de Trump à
remodelação feita na equipa de assessores
da sua candidatura, mas também à
ausência de Clinton ao longo da última
semana, na sequência do mal-estar que
sentiu durante as cerimónias de 11 de
Setembro (soube-se depois que lhe tinha
sido diagnosticada uma pneumonia dias
antes).
Numa das últimas intervenções, Clinton
foi muito criticada por se ter referido aos
apoiantes de Trump como um “bando de
deploráveis”. Desde então, a candidata
democrata recuou nas suas declarações.
No regresso à campanha, Clinton
reconheceu que ter de ficar em casa a
dois meses das eleições era o “último
lugar” onde queria estar. “Não sou boa a
levar as coisas com calma, mesmo em
circunstâncias normais”, afirmou a
candidata, durante um discurso na
Carolina do Norte.

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